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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Estou Indignada

Imagem encontrada no Facebook na página Orgulho Lésbico


Não entendo que graça é que tem as pessoas ridicularizarem os outros só por serem diferentes. E essa diferença, já nem tem a ver com a etnia e sim, com a orientação sexual do outro. Que divertimento bizarro, não?!

terça-feira, 2 de julho de 2013

Tudo Muda Quando Se Ama Verdadeiramente

 
Tudo muda quando se ama verdadeiramente,
É aquele alguém que chega como num sonho…
Nossos corações batem descompassadamente,
Com a certeza de um futuro mais risonho.
 
Uma ave voa livre acariciando o céu,
Desenhando corações tão enamorada…
Conquistando um ninho, um espaço seu…
Corteja o coração da sua fêmea amada.
 
Cortejo-te cantando uma doce melodia,
Que transmite amor, uma grande paixão…
Contendo também uma sentida alegria,
Aquele desejo que arrebata um coração…
 
Fêmea bonita, delicada mas meio agreste…
Tens um jeito doce, desligado e impulsivo.
Na noite longa sopra uma brisa de Noroeste,
Iluminada pela lua dou-te um beijo sentido.
 
Nossos corpos fundem-se numa chama,
Esta é intensa, repleta de sentimentos…
Sentimentos maravilhosos de quem ama,
Iluminando nossas almas por momentos.
 
Cris Henriques

segunda-feira, 25 de março de 2013

Inocência


Amo-te na inocência,
Usando mais o sentir...
Muito menos o pensar,
Não há controlo algum!
Meu coração eleva-se,
Enriquece-se perto de ti.
Sinto-me então no paraíso
Com tamanha felicidade,
Vibrando de emoção
Entre sonhos realizados.
Isto, porque estás aqui,
Seguras na minha mão.
Na inocência do sentir
Este amor é bem maior
É teu amor, meu amor
E o meu, também é teu.
 
Cris Henriques

terça-feira, 19 de março de 2013

A Insónia


Acordei eram 5h52 minutos... Disse que acordei? Não estou muito certa de ter realmente acordado, pois sinto que não dormi nada. Parece que apenas vagueei pela noite com os olhos fechados e as imagens que vi, em vez de sonhos, foram de pensamentos corridos, assim daqueles que aparecem e desaparecem por instantes. “─ O que se passa comigo? -, murmurei em pensamento, “─ Porque não dormi?”.
 
Faço perguntas e mais perguntas, mas da minha mente não obtenho resposta... Estou cansada, ansiosa e inquieta... Porque estou assim? Suspiro e abro os olhos desta vez..., pois é, não dormi, ou se dormi foi pouco, constato, mas fico na dúvida. Sem paciência para ficar assim, nem acordada e nem a dormir, pego no telemóvel e escrevo o que se está a passar comigo escrevendo este texto. Não sei bem porque o faço, mas faço-o.
 
Estarei assim por ter bebido café, ou será porquê então, senão estou com nenhuma preocupação? Oh, sei lá porquê! Não estarei a ficar insone, espero. Decido parar de escrever, pois o sono não parece querer nada comigo hoje. Se não o fizer, com certeza não voltarei a adormecer.
 
Paro de monologar para tentar dormir, ainda tenho umas horinhas, afinal... Não são muitas, mas enfim são algumas. Antes poucas, que nada! Fecho os olhos e espero, pousando o telemóvel na almofada. Bocejo e espero... Faço uma contagem decrescente de números, iniciando em 200. Estou confiante que não chegarei até ao zero antes de adormecer, aproveitando o pouco tempo que me resta e não me engano. Adormeço sem dar por isso e acordo pela manhã 4h30 mais tarde...
 
Como me sinto?
 
Melhor, porém um pouco cansada ainda. Porém, já sei porque não dormi; era pura e simplesmente com saudades de ti. Consciencializei isso quando fui buscar-te ao aeroporto e te vi.
 
─ Sabes o que aprendi hoje?

─ Não, diz lá! ─ Respondeste aproximando-te de mim com aquele teu ar descontraído.
 
─ As saudades causam insónia!

A senhora da limpeza que passava por nós naquele exacto momento, parou perto de nós e disse:
 
─ Desculpem, não pude deixar de ouvir. Sabem quando a saudade causa insónia?

─ Não… ─ respondemos em uníssono.
 
─ É simples, é quando o amor é verdadeiro. Feliz dia de S. Valentim, aproveitem o estar juntas novamente. ─ E dizendo isto, afastou-se.
 
Quanto a nós, seguimos para casa para recuperar o tempo perdido. Esta noite, depois do amor não ficarei insone, porque nos teus braços irei dormir.
 
Amar é assim…


Cris Henriques

sábado, 17 de novembro de 2012

Tenho Sede

A imagem encontra-se neste link.

“Tenho sede…
Sede dos lábios teus
Que se abrem para os meus
Teu corpo treme…


Tenho sede…
Sede dos teus beijos
Provocam-me mil desejos
Se tua boca me persegue…


Esta sede que me devora
Que me tortura
Instala-se a qualquer hora
Despertada por tua doçura…


Vem minha sede matar
Com teus carinhos ardentes
Teu ser eu vou amar
Meu Amor, é para sempre.”

Cris Henriques

Para ti, de quem tenho sede, fome e… saudades.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Amazona


Imagem no Baixaki

“Meu amor…
Tem a sensibilidade duma gota de chuva,
É delicada como uma flor,
Sobre uma luz difusa.


Observo-a emocionada,
Oculta da sua vista.
Sei que é ela a mulher amada,
Pois a todos ela conquista.


Toda a vida a esperei,
E continuo a esperar…
Por quanto tempo, eu não sei…
Preciso aprender o verbo amar.


Como uma amazona aguerrida,
Tem a força e a coragem.
Ela luta p’la sua vida,
Vendo o amor como uma miragem…


Ela é como o vento forte,
Que não se pode aprisionar…
Deixo-a seguir à sua sorte,
Com a esperança de me amar.


Minha amazona tão amada…
Amo-te como nunca ninguém te amou,
Por ti estou louca e apaixonada,
Quero-te tanto meu amor…”

Cris Henriques

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Apenas Sente



“Recebe o meu beijo esta noite, Amor.
Onde quer que estejas,
Onde quer que eu esteja…
Mas sente…
Fecha apenas os teus olhos e sente,
Sente os meus beijos de amor.
Pode ser onde os quiseres receber;
Na tua face,
Nas tuas mãos,
Nos teus lábios…
Onde desejares,
Meu bem-querer.
Mas sente,
Sente também o meu abraço,
Envolto de saudades, meu Amor.
Apenas sente.”

Amo-te.

Cris Henriques

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Por Amor – 6ª Parte

Imagem aqui.

Alberto, assim se chamava o comerciante, compreendeu a situação e o porquê do roubo. A seguir, ofereceu trabalho a Dani e ela aceitou. Começaria no dia seguinte às 14h e sairia às 20h da noite. Disse-lhe:

─ É errado roubar, mas quando há crianças com fome é compreensível. Vai para casa e não te esqueças de estar aqui amanhã às 14h00, ouviste?

─ Ouvi sim, Sr. Alberto. Muito obrigada, serei pontual!

Dani saiu do supermercado sorridente e dirigiu-se à praia, que estava deserta àquela hora. Era noite e o céu estava iluminado de estrelas, no entanto não havia Lua, ou melhor, era Lua Nova. Não gostava dessa fase da Lua, porque nesta fase costumava ocorrer problemas… Intrigas, mistérios… Porém, ela hoje estava feliz e sentia-se abençoada. Entrou no mar, vestida e mergulhou, para se molhar por inteiro. A água estava gelada, mas Dani sabia que deveria agradecer a graça recebida e assim o fez, ao sair do mar ajoelhou-se à beira-mar, benzeu-se e seguidamente rezou olhando para a primeira estrela que avistou no céu, mas uma nuvem cobriu essa estrela… Isto não era um bom presságio, Dani, sabia-o, mas agradeceu mesmo assim.

Meia hora depois foi para casa e ao chegar, abraçou a mulher e beijou a filha que dormia. Contou a Sofia tudo o que tinha acontecido, ela abraçou-a e disse:

─ Amo-te, Daniela Lopes. Orgulho-me de ti, Amor.

─ Agora vai correr tudo bem, Amor.

─ Vai sim.

E beijaram-se ternamente. Abraçaram-se e desse abraço, desse longo beijo, o desejo renasceu. Sofia tirou as roupas molhadas da esposa, começando por lhe desabotoar os botões da camisa e a cada botão que abria, beijava-lhe o peito nu. Dani gemia baixinho, pois o prazer que sentia quando Sofia tomava a iniciativa de a possuir, era imensa. Sofia atirou a mulher para cima da cama e tirou-lhe as calças, beijando-lhe o ventre e todo o resto do corpo, até que Dani teve um orgasmo múltiplo intensíssimo…

Fizeram amor praticamente toda noite e adormeceram enroscadas uma na outra, às 3h45 o telemóvel de Sofia toca para ela ir trabalhar. Estava na hora e apesar de estar a dormir à 1h00 levantou-se, vestiu-se e lá foi. Escreveu no ecrã do telemóvel da sua amada a seguinte mensagem:

“Bom dia, meu Amor!

Fui trabalhar. Volto à hora de almoço.

Tu és fantástica! Estou de rastos, precisava dormir mais umas horas. Sorriso

Amo-te.

Beijos da tua esposa,

Sofia.

P. S. – Saudades tuas! Sorriso”

O dia amanheceu soalheiro e ao acordar, Dani, pegou no telemóvel para lhe pôr som, pois podiam ligar-lhe e se estivesse sem som, não o ouviria tocar. Mal lhe pegou, viu a mensagem que o seu Amor lhe tinha deixado escrita. Ao lê-la, sorriu com uma expressão matreira.

Tratou de Leninha e despachou-se para ir trabalhar. Estava animada e optimista, acreditando que a sua sorte estava a mudar e que dali em diante, a vida lhe sorriria. Limpou a casa, para Sofia poder descansar e dormir um pouco também, afinal, a noite passada tinha sido de arromba!

Entretanto, na lota as coisas corriam bem. O peixe estava a vender-se e Sofia não tinha realmente mãos a medir. Às 13h30 regressou a casa com um passo apressado, porque estava na hora de Dani ir trabalhar e Leninha não podia ficar sozinha. Ao chegar, Dani abraçou-a, beijou-a e despediu-se até à noite.

Nesse dia, Sofia aproveitou para descansar e para cuidar da menina. À noite, preparou um jantar romântico para a sua amada. As noites eram para namorar e para desfrutarem da companhia uma da outra.

Estava tudo em harmonia e do Rui Melo, nem sinal. Não havia discussões, não havia desconfianças, nem ciúmes. Estava tudo tranquilo, até mesmo com relação ao dinheiro. Sofia recebia ao dia e isto, dava para pôr comida na mesa, além do mais a D. Rosalinda dava-lhe sempre peixe que sobrava da venda.

Quanto a Dani, recebia à semana e aos fins-de-semana, o Sr. Alberto pagava-lhe o dobro. Tinha sido isto que ficara acordado entre ambos e quando a validade dos produtos estava a terminar, Alberto Lobo dava esses mesmos produtos a Dani. Ele era uma boa pessoa e gostava de ajudar os mais necessitados. Tinha o hábito de dizer que fazer caridade, não era “fornecer” as ditas instituições que diziam ajudar pessoas carenciadas. Para se ajudar pessoas carenciadas bastava olhar a quem estava ao seu redor, dando trabalho para essas pessoas subsistirem, ou dando alguns alimentos. Para ajudar, bastava querer.

Alberto, não era um empresário e não tinha dinheiro por aí além. Mas tinha um bom coração e uma grande riqueza interior. Aos 72 anos vivia sozinho, nunca tinha casado e também não tinha filhos. Porém, nunca se esquecera do seu amor quando tinha 20 anos, mas esse era um assunto que ele se recusava a falar. O povo contava duas versões diferentes da história. Numa delas, a mulher pela qual Alberto se enamora era casada e ele era seu amante e, num dia o marido tinha chegado mais cedo a casa e os surpreendera juntos na cama. E que a partir desse dia, ele nunca mais tinha querido ter outra mulher.

Noutra versão, Alberto apaixonara-se por uma mulher que o havia deixado e tinha-o trocado por outro homem com mais dinheiro que ele. A verdade é que ninguém sabia dizer ao certo o que tinha acontecido e também talvez nunca se viesse a saber, pois ele não falava no passado.

Alguns dias mais tarde, Rui apareceu na lota. Ao vê-lo, Sofia sentiu-se nervosa e ficou mais nervosa ainda, quando o viu tratar a D. Rosalinda por “Mãe”. Então, ela era mãe dele… Estava explicado porque ele ia muito à lota, a mãe trabalhava lá. Rui viu-a imediatamente e sorriu-lhe, ela fingiu que não o tinha visto e continuou a arranjar os carapaus para uma freguesa. Ele percebeu que ela o estava a ignorar e depois de a mãe lhe dar o dinheiro que ele pedira, Rosalinda foi com ele até à banca onde estava Sofia.

─ Sofia, quero apresentar-lhe uma pessoa. Este é o Rui, o meu filho.

─ Nós já nos conhecemos, o seu filho é o senhorio da casa onde estou. Bom dia, Sr. Melo. ─ Disse enfrentando-o.

─ Verdade? Que interessante, não sabia!

─ Pois é, é verdade, Mãe. Olá, Sofia! Esquece isso do Sr. Melo, trata-me por Rui como toda a gente. Estás cada dia mais bonita… ─ disse olhando-a de alto abaixo.

─ O meu filho, é um verdadeiro cavalheiro, muito galanteador e educado com as moças. Especialmente, quando está interessado em alguma moça. ─ Disse Rosalinda com orgulho.

─ Pois é, mas sou uma mulher casada e… Ups, já são horas de ir para casa… ─ disse Sofia olhando para o relógio, ─ …Já estou é quase atrasada e a minha mulher está à minha espera para ir trabalhar. Portanto, D. Rosalinda, vemo-nos amanhã.

─ Ai, filha desculpa. Vou arranjar as tuas coisas e o Rui leva-te a casa no carro. Espera um bocadinho, é só mais uns minutos. Ainda são 13h22.

─ Não é preciso, D. Rosalinda. Eu vou a pé. Obrigada, na mesma.

─ Disparate, filha. Vá, toma lá o saco e até amanhã. Rui, leva a Sofia a casa.

─ Está bem, vamos Sofia, eu levo-te. Até logo, Mãe.

─ Adeus, meninos.

E lá o Rui levou Sofia até a casa. Ela não tinha tido alternativa, bem que resistira mas não teve qualquer hipótese.

─ Que bom que estás na lota, assim vamos ver-nos mais vezes e conhecer-nos melhor!

Sofia manteve-se em silêncio. Não queria conversar com ele, estava preocupada com Dani e com Leninha, mas também com a reacção dela ao vê-la chegar com Rui, de carro. “Vai ser, lindo…”, pensou.

─ Então? Não dizes nada, Amor? ─ Pergunta Rui para a provocar.

─ Não me chame de “Amor”. O meu Amor é a minha mulher, a Dani.

─ Que disparate, “minha mulher”! ─ Exclamou ele escarnecendo do que ela tinha dito, ─ Falta-te é conheceres um homem a sério… ─ e dizendo isto, passa a mão pela perna dela.

Sofia, empurra-lhe a mão com força e sai do carro em andamento, tropeçando mas correndo em direcção a casa. Nesse momento, Rui trava o carro e grita, pondo a cabeça de fora da janela:

─ ÉS LOUCA OU QUÊ?! ANDA CÁ!

As lágrimas caiam-lhe pelo rosto abaixo e ao virar a esquina, ainda o ouviu gritar: “─ EU SEI ONDE MORAS!!”. Entrou em casa e encontrou Dani, a deitar Leninha. Sofia limpa imediatamente a cara para a sua amada não perceber que algo tinha acontecido e para disfarçar o nervoso, começou a falar:

─ Olá, Amor! Vim a correr, hoje atrasei-me porque a D. Rosalinda teve que ir ao médico… ─ Mentiu. Mas não era totalmente mentira, realmente Rosalinda tinha tido uma consulta nessa mesma manhã, só que o atraso havia acontecido por causa de Rui ter aparecido.

─ Ok, tudo bem. Eu vou indo, estás bem, Amor? É que não pareces… ─ Disse Dani, notando que havia alguma coisa que não estava bem.

─ Estou, estou Amor. Só estou cansada por vir a correr. ─ Disse sorrindo.

─ Ok, então, até logo. Tenho de ir. ─ E dizendo estas palavras, despediu-se da mulher com um beijo e saiu.

Sofia, sentou-se na cadeira pensativa, pois sabia que as coisas iam piorar. Ele iria tentar novamente… Não sabia como fazer as coisas, se deveria contar à esposa o que acontecera, ou não. Contar-lhe, implicaria fazê-la voltar atrás no tempo e lembrá-la da violação… Para não lhe contar, também não estava correcto, porque eram um casal e partilhavam tudo. Não podia contar à D. Rosalinda, ela não iria acreditar em toda aquela história… Nesse caso, o que fazer então?

Precisava de pensar muito bem e decidir, mas não agora porque estava cansada e ao deitar-se no sofá, adormeceu. O cansaço fora mais forte.

Dormiu até a Leninha acordar perto das 18h00! Grande sesta que elas dormiram! Mas foi bom, porque permitiu que Sofia descansasse e ao acordar, via a questão com outros olhos. Por enquanto, ia deixar as coisas como estavam e se ele voltasse a tentar mais alguma, contaria à esposa e resolveriam as coisas juntas.

Então, não pensou mais nisso. Após tratar da menina, fez o jantar e tomou um banho relaxante. Quando Dani chegou do trabalho, encontrou-a no duche. Despiu-se e ao chegar perto dela, perguntou:

─ Há lugar para mais uma?

Sofia, abraçou-a e as duas raparigas beijaram-se apaixonadamente. Os seus corpos iniciaram uma dança sensual, quente, que as transportou para um orgasmo intenso e em simultâneo.

Na manhã seguinte, aconteceu algo que Sofia não esperava. Ao caminhar pelas ruas até à lota, um carro começou a andar ao seu lado devagar e a janela abriu-se automaticamente. Sofia não conhecia aquele carro.

─ Olá, bom dia ou será boa noite?

Era o Rui. Sofia não lhe respondeu e continuou a andar em silêncio, olhando em frente.

─ Ainda estás chateada?

Novo silêncio, a caminhada e o olhar fixo em frente manteve-se. Sofia, começava a ficar nervosa. Não valia a pena correr, ele estava conduzir o carro e apanhá-la-ia num ápice.

─ Vá, não sejas casmurra. Entra, eu dou-te boleia até à lota. Prometo comportar-me…

Sofia, manteve a sua caminhada e continuou a ignorá-lo. Rui continuou a insistir, mas ela mantinha-se impávida e serena. Até que chegaram a uma rua deserta sem iluminação, não havia casas nem nada ali. Aquele lugar era descampado e o nervoso de Sofia aumentava, Rui começou a perder a paciência. Então, acelerou o carro e parou na frente dela. Ela gritou e tentou correr para fora do seu alcance. Porém, ele estava em boa forma e agarrou-a pelo cabelo longo.

─ Onde pensas que vais, hã?

Desorientada Sofia, gritou e voltou-se para ele para se soltar. Mas nesse momento ele agarrou-a, atirando-a ao chão, caindo sobre ela. Ele era pesado e musculado, o seu peso mobilizava-lhe as pernas e ela não conseguia mexer-se.

─ Desta vez não me escapas, vais ser minha!

Então, vendo-se encurralada, Sofia pensou rápido e agiu instintivamente. Beijou-o na boca e quando sentiu que podia mexer as penas novamente, deu-lhe uma joelhada com força nos testículos. Rui gemeu e largou-a imediatamente.

─ Ahhh, puta! Vais pagar caro por isto… Ahhh, ─ e ficou deitado no chão contorcendo-se com a dor.

Sofia correu até à lota o mais depressa que conseguiu e ao chegar lá, com as roupas amarrotadas, sujas de areia e com a maquilhagem por retocar, Rosalinda deitou as mãos à cabeça e exclamou:

─ Santo Deus! Que te aconteceu, filha?

─ Fui assaltada quando vinha no caminho para aqui… ─ Respondeu Sofia.
─ Isto cada vez está pior! É só ladroagem, ninguém está seguro aqui. Estás bem, filha?

─ Estou, D. Rosalinda. Consegui defender-me lutando e fugi.

─ Bem, antes assim. Vai-te lavar, filha e arranja as roupas.

─ Obrigada, D. Rosalinda. Já volto, então.

Sofia, foi à casa de banho e ao chegar lá, chorou. Chorou muito porque sabia que a harmonia que sentira há dias, terminara. O sossego definitivamente, acabara…

Continua…

Cris Henriques




sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Se Os Meus Olhos Falassem

Paixão

“Se os meus olhos falassem
Segredavam-te ao ouvido,
Palavras que te mostrassem
Como meu amor é sentido.

Minhas asas se abriam
Prosseguia numa viagem,
Com teus beijos me cobriam
Tua boca tão selvagem.

Teus braços me abraçavam
Teu corpo me recebia,
Nossas línguas se entrelaçavam
Nossas almas se uniam.”

Do livro: O Que O Meu Coração Diz

Cris Henriques

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Por Amor – 5ª Parte

Imagem aqui.

Os ciúmes enlouqueciam-na. Até que, subitamente sentiu um beijo na boca. Um beijo de uns lábios muito doces, ternos que lhe eram familiares. Era Sofia. Dani correspondeu ao beijo de forma intensa, deixando que ela tomasse as rédeas daquele momento de amor, de paixão. Sofia vinha ávida de desejo, os seus beijos tornaram-se ardentes e acenderam o fogo existente nos seus corpos. Os beijos trocados entre as duas eram de tirar o fôlego.

Sofia e Dani, arrancaram as roupas uma da outra e fizeram amor de uma forma extremamente intensa, apaixonada, consumindo-se naquele fogo intenso que sentiam e como só dois seres que se amam verdadeiramente podem fazer.

No fim e exausta, Dani observou Sofia adormecida no seu peito. Era uma mulher linda, tinha cabelos negros, longos e ondulados, pareciam seda ao deslisá-los pelo seu corpo. A pele era muito branca, não tinha aquele tom de pele morena que escurecia ao sol, mas tinha um sinal em forma de meia-lua num dos seios. Tinha um corpo muito atraente com belas formas femininas, onde Dani se perdia e encontrava nas suas curvas. Morria de ciúmes quando via Rui a falar com ela. Ele era o Senhorio e portanto, era muito natural encontrá-los de vez em quando a conversarem.

Algumas horas mais tarde, Sofia acordou e viu que Dani estava acordada e, rabiscava qualquer coisa no bloco com a esferográfica.

─ Olá! ─ Disse meio ensonada. ─ Que estás a fazer?

─ Nada de especial, ─ disse sorrindo.

─ Mostra!

─ Ainda não… ─ e piscou-lhe o olho, ─ não está pronto.

Sofia estava curiosa e queria ver, então ergueu-se sobre os ombros e precipitou-se para beijar a sua amada. Ela cedeu e Sofia roubou-lhe o bloco e riu-se.

─ Sofia, assim não vale! Não está acabado…

─ Tola! Parecias um gajo agora! ─ Disse rindo e levantou-se para ver o que Dani tinha rabiscado na folha.

─ Porquê? Porque dizes isso?!

─ Porque com a minha sedução beijei-te só para te roubar o desenho e tu nem desconfiaste de nada! Isso é uma actitude típica de homem! ─ e dizendo estas palavras riu-se, Dani fez-lhe uma careta e deitou-lhe a língua de fora, amuada.

Sofia avançou até à janela do quarto e viu o que estava rabiscado na folha do bloco. Os seus olhos encheram-se de lágrimas devido à emoção. Era um desenho dela a dormir minutos antes. Apesar de ser apenas um esboço feito a esferográfica, estava muito parecido com ela.

─ Desculpa, Amor, eu faço outro depois que esse não está bom… ─ Murmurou Dani a pensar que Sofia estava a chorar por não ter gostado.

─ Não, não é nada disso. Está lindo, Amor. Estou apenas emocionada com a beleza do esboço. Está perfeito! ─ Exclamou abraçando-a. ─ Devias mostrar a alguém, porque está realmente muito bom.

─ Ó, Amor que exagero! É só um esboço e feito com esferográfica, não está nada de especial. Não está tão bom assim. ─ Disse abraçando-a novamente e beijando-a.

─ Amo-te.

─ Eu também te amo muito, Amor.

─ Amor, vem cá e senta-te aqui ─ disse Sofia sentando-se na cama e acariciou a colcha indicando-lhe onde se sentar.

─ Ok, está tudo bem?

─ Sim, está Amor. Só que preciso falar contigo, já devia tê-lo feito quando cheguei mas depois fizemos amor e ainda não tinha tido oportunidade de te falar.

─ O que se passa?

─ É o seguinte: Amor, tenho uma novidade! ─ Disse Sofia excitada.

─ Então? ─ Perguntou Dani expectante por boas notícias.

─ Arranjei trabalho por uns dias e estou a receber também. Não é muito, mas é melhor que nada.

─ Fixe! ─ Exclamou feliz e abraçou-a. ─ E onde é? O que é para fazeres? Perguntaste se também havia para mim?

─ É na lota, na banca da venda do peixe.

Dani suspirou chateada, assim ela iria ver o Rui com mais frequência... Ele ia muito lá.

─ Por favor, não te zangues comigo. Eu vou só ficar a ajudar a D. Rosalinda a vender e a amanhar o peixe. Ela cortou-se hoje e eu ofereci-me para ajudá-la, no fim ela disse para eu aparecer amanhã, deu-me algum dinheiro e também me deu peixe para o nosso almoço. Ela gostou de mim! ─ Disse Sofia feliz.

─ Sim, ok. ─ Respondeu Dani secamente.

─ Porque estás assim? Diz-me de uma vez o que se passa, porque não estou a compreender porque ficaste de mau humor agora.

─ Ai, não? Ok, Sofia, eu digo-te. 1° disse para não ires procurar trabalho na lota e tu foste; 2° Vais ver o Rui enquanto lá estiveres, porque ele todos os dias vai à lota.

─ Não vai nada todos os dias. Enquanto lá estive hoje, nunca o vi! Ele não apareceu.

─ Oh, se calhar tinha lá ido de manhã mais cedo!

─ Não sei, mas também não interessa. Eu não quero nada com ele. Eu estou lá para arranjar dinheiro para podermos subsistir. Quero lá saber dele!

─ Não gosto dele! Ele olha-te com olhar ordinário, com um olhar de quem te quer comer...

─ Pára Dani, pára! Já chega! Tivemos esta conversa no outro dia. Pára! Estás a ficar demasiado ciumenta e isso não é bom para nós. Tens de esquecer isso e já! Tens de confiar em mim.

Os ciúmes de Dani revelavam falta de confiança e insegurança, ela estava com uma autoestima muito baixa.

─ Tenho medo que deixes de me amar... e me troques por outra pessoa...

─ Isso não vai acontecer, amo-te. Confia em mim.

─ Eu confio em ti, mas nele não.

Após o almoço, Dani dirigiu-se ao supermercado onde tinha roubado o leite para Leninha. É certo que não ia devolver o que tinha roubado, pois o leite já fora consumido. Ela queria pagar para reparar o erro, este pesava-lhe na consciência.

Estava nervosa e com receio de que o dono do supermercado pudesse chamar a polícia, Sofia advertiu-a para não fazer isso porque também ela receava que as autoridades a prendessem e tentou impedir que ela fosse lá. Discutiram e Dani saiu de casa batendo com a porta. Segundos depois ouviu Leninha chorar. Naquele momento as três choravam. Sofia e Dani choravam por receio de que Dani fosse presa e, Leninha chorava porque tinha acordado com o barulho e assustara-se.

De repente, parou antes de entrar e reflectiu alguns momentos. Estava nervosa, aquilo podia mesmo correr mal. Porém, ela já estava à porta do estabelecimento e não voltou atrás. Inspirou fundo e olhando para o céu, benzeu-se e isto deu-lhe coragem.

─ Seja o que Deus quiser… ─ Murmurou baixando a cabeça. Assim, entrou dentro da loja e decidida foi falar com o senhor que estava a atender ao balcão. Disse-lhe porque estava ali e contou-lhe o que se tinha passado, no fim, pousou o dinheiro e pediu perdão mostrando seu profundo arrependimento.

Continua…

Cris Henriques



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Tuas Mãos

hands
Imagem daqui.

“Nesta noite quente
Estrelas brilham triunfantes
Lembranças invadem minha mente
Desse teu corpo vibrante.


Essas tuas mãos macias
Acariciam-me a pele suave
Abrem o portal da magia
Com tamanha intensidade.


Mãos atrevidas que sabem o que fazer
Percorrem meu corpo que sempre foi seu
Deixam-me rendida com imenso prazer
Prendendo-me em ti, nesse fogo teu.


Nossos corpos enroscados
Vibrando de paixão
Transpiram entusiasmados
No calor da emoção.


No auge desta aventura
Entregamo-nos ao prazer
Beijas-me com loucura
Exaltando o meu ser.”

Do livro: O Que O Meu Coração Diz

Cris Henriques

domingo, 23 de setembro de 2012

Por Amor – 4ª Parte

Imagem aqui.

No dia seguinte, Sofia saiu cedo e foi à lota. Antes de ir, alimentou Leninha e adormeceu-a novamente.

─ A mamã já vem, Amor. Vai trazer papinha para ti. ─ Disse num murmúrio para não a acordar e nem acordar Dani. Não queria que Dani acordasse antes dela sair, pois sabia que discutiriam novamente…

Beijou a menina ao de leve e aconchegou-lhe a roupa. Desta forma ficava mais descansada.

Deixou um bilhete a Dani, para que ela não ficasse muito chateada consigo e saiu. Mas sabia que ficaria, com certeza. As lágrimas escorriam pelo seu rosto, pois sabia que estava à beira de fazer algo que iria magoar o Amor da sua vida, em nome de um Amor Maior: a filha.

Duas horas mais tarde, Dani acorda com o choro de Leninha. Ela devia estar com fome, sorriu e levantou-se para cuidar da menina.

─ Bom dia, Amor da Mãe! Olha a papinha, Amor! ─ Disse para Leninha, pegando-lhe e alimentando-a. Comeu o pequeno-almoço, fez a lida da casa mas sempre a falar com ela. Adorava falar com a menina, pois sabia que ela a escutava. Em seguida, mudou-lhe a fralda, vestiu-a e levou-a consigo para a cozinha.

Não muito tempo depois, Leninha adormeceu e só então Dani encontrou o bilhete de Sofia que dizia:

Bilhitinho 2

Dani achou estranho aquele bilhete, mesmo apesar de o ter lido mais do que uma vez.

─ Mas que raio significava isto? ─ Questionou-se em voz alta.

A vontade que tinha era de ir atrás dela, procurá-la e perguntar-lhe pessoalmente que raio de bilhete era aquele. Só que não podia. Não agora. Não podia deixar a menina sozinha. Não podia, nem devia fazer isso.

Sentou-se no sofá e pôs as mãos na cabeça a pensar, depois recostou-se para trás.

─ O que é que eu faço…? ─ Murmurou com seus botões, mas estes não lhe responderam.

Enquanto isso, Sofia foi à lota para ver o que podia arranjar para comerem. Uma senhora idosa estava na banca a amanhar o peixe e tremia muito. Os tremores eram tão fortes que ela cortou a mão. Sofia que estava na sua banca a ver o preço do peixe, tratou de ajudar a senhora imediatamente.

─ Pronto, já está tudo bem. ─ Tranquilizou-a Sofia.

─ Não, não está. Não posso amanhar o peixe assim! Vou perder dinheiro… ─ disse a senhora com ar preocupado.

─ Eu posso ajudá-la aqui. Não tenho mais nada para fazer. Chamo-me Sofia ─ disse estendendo-lhe a mão.

A senhora apertou-lhe a mão e agradeceu-lhe a ajuda.

─ Obrigada, Sofia, sou a Rosalinda. Já alguma vez amanhaste peixe? ─ Perguntou-lhe observando as suas mãos suaves sem calosidades.

─ Não, só em casa… Mas aprendo depressa! ─ Exclamou Sofia sorrindo.

Rosalinda, ensinou Sofia tudo o que era necessário saber para amanhar o peixe. No fim da venda Sofia ajudou-a a limpar tudo e acompanhou-a até a casa. Rosalinda, deu-lhe algum peixe e algum dinheiro para lhe pagar a ajuda. E disse:

─ Volta amanhã cedo, às 4h da manhã e não te atrases.

─ Obrigada, D. Rosalinda. Serei pontual. Se precisar de ajuda, ligue-me para o telemóvel. Não posso ligar porque estou sem saldo. Mas ainda recebo chamadas.

─ Não te preocupes, o meu filho ajuda-me. Até amanhã.

─ Até amanhã.

As duas despediram-se e Sofia seguiu em direcção ao supermercado para comprar leite para a menina.

─ Quem é que estava a falar contigo? ─ Perguntou uma voz de homem quando Rosalinda entrou em casa.

─ Foi uma moça muito simpática que me ajudou na lota, filho. Ela chama-se Sofia, está desempregada e tem um bebé. Como me cortei, ela ajudou-me com as coisas e combinamos para amanhã ela vir ajudar-me novamente.

─ Que bom. ─ Respondeu um filho sem lhe dar atenção, pois estava concentrado na televisão.

Entretanto, Dani adormecera no sofá e começou a ter um pesadelo horrível. De repente, viu Sofia na cama com Rui. Viu-o possui-la fervorosamente e viu-a sentir prazer... A seguir viu-o pagar-lhe com dinheiro no fim e com esse dinheiro, ela pagou as contas de casa, mas também a quem elas haviam pedido fiado. Viu-a comprar comida... O seu coração batia com força, o suor escorria pelo seu rosto...

Continua…

Cris Henriques



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Por Amor – 3ª Parte

Imagem aqui.

Dani saiu desesperada com o choro de Leninha nos ouvidos, o seu leite já não era suficiente para ela. As coisas não estavam nada bem… O Centro de Emprego atrasava-se a enviar os subsídios e trabalho que era bom não aparecia nada... Sofia arranjou um trabalho por duas semanas num café, mas foi só até a empregada vir de férias. O dono do café mandou-a embora, pois a vida estava muito difícil para contratar e pagar mais um ordenado. Assim, mandaram-na para casa. Quanto a Dani, não lhe davam emprego por ela ser mãe há pouco tempo. Estavam sem saída, ao que parecia…

Dani seguia de bicicleta pelas vielas a pensar em tudo ao mesmo tempo, no passado, no presente relembrando os últimos acontecimentos e no futuro, que teimava em não lhe sorrir. Não conseguia entender o que estava errado.

Dirigiu-se para um supermercado local e foi direito à zona do leite. Hesitante e com sentimento de culpa, ficou parada em frente à prateleira. Não queria roubar, porque era contra os seus princípios mas não era para ela. Era para Lena, a sua bebé. Abriu a carteira, contou os cêntimos que tinha e depois procurou na prateleira o preço adequado para o que lhe restava. Mesmo para o leite mais barato, o dinheiro que tinha também não chegava por apenas 10 míseros cêntimos…

“E agora? O que devo fazer, levo ou não?...”, pensou e pousou o pacote do leite. Andou pelos corredores para decidir. “A minha filha não pode passar fome.” Voltou ao corredor e pegou no pacote de leite mais barato.

─ Perdoa-me meu Deus, é para a menina… ─ Disse num murmúrio olhando para cima e uma lágrima caiu dos seus olhos negros, cheios de tristeza e de desespero. Disfarçadamente, escondeu um pacote por dentro do casaco e caminhou nervosa para a saída. Aproveitando a confusão no balcão de pagamento com outros clientes, Dani sai do supermercado. Pega na bicicleta e pedala rápido até a casa.

Teve sorte, porque ninguém viu. Mas o remorso roía na sua consciência…

─ Onde estiveste? - Pergunta Sofia, - Onde compraste isso?

Dani não lhe responde enquanto aquece um pouco de leite furtado para a filha que gritava a plenos pulmões por comer.

─ Não respondes, é? Roubaste isso! Meu Deus, agora roubas!

─ Sofia, não tive outra solução... O dinheiro não chegava e por apenas 10 cêntimos! Nem para lavarmos escadas nos querem! Não vou deixar a menina morrer à fome, entendes? É nossa filha... ─ Justificou-se Dani envergonhada perante a esposa e dando o leite à menina.

─ O que será de nós...? ─ Murmurou Sofia pensativa.

Leninha, bebeu a quantidade toda de leite e adormeceu. Dani deitou-a no berço e depois de aconchegar-lhe a roupa, deitou-se ao lado da sua esposa.

─ Isto não pode continuar assim... ─ murmurou Sofia. ─ Não pode mesmo. Amanhã vou procurar trabalho e tu ficas com ela.

─ Ok. E vais procurar onde?!

─ Não sei, mas temos de continuar a procurar. Não podemos desistir...

─ Sofia, não quero que vás à lota, nem ao cais e muito menos aqueles bares.

─ À lota, vou. Até pode ser que traga peixe para o nosso almoço.

─ Já te disse que não quero que vás lá e ponto final! ─ Disse firmemente Dani.

─ Ouve lá, que conversa é essa hoje? Nunca me falaste assim!

─ Esquece!

─ Esqueço? Não esqueço, não! Não é assim.

─ Desculpa. ─ Respondeu Dani com a voz embargada. Estava a chorar.

Sofia virou-se para ela e disse:

─ Dani, eu amo-te. Amo-te com todo o meu ser. Confia em mim, Amor... Nós precisamos de comer, de trabalho e de dinheiro, para conseguirmos sobreviver. Temos uma filha para criar, Amor. Temos de lutar por ela.

As lágrimas escorreram pelo rosto de Dani, que chorava assustada. Ela tinha medo que Sofia caísse na conversa do Rui e que ela se deitasse com ele por troca de dinheiro. Ele olhava para Sofia com um olhar lascivo, nojento e já o tinha visto a falar com ela muito perto, talvez demasiado perto. Dani, sentiu ciúmes e raiva naquele momento que chegou e viu-os juntos. Não gostou de o ver a conversar com Sofia daquela maneira.

─ É o Rui, não é?

─ Amor, não voltes a esse assunto, por favor. Não aconteceu nada. Já não acreditas em mim?

─ Acredito. Mas não gosto dele. Não gosto da forma como ele olha para ti. É nojento!

─ Esquece-o. Confia em mim.

─ Eu confio em ti, mas não confio nele… ─ As lágrimas corriam-lhe pela face.

Sofia beijou-lhe o rosto todo e abraçou-a tentando tranquilizá-la. Depois disse:

─ Não chores, Amor. Tudo vai ficar bem.

─ Amo-te Sofia Santos ─ disse olhando-a profundamente nos olhos. Ela beijou a palma da mão de Dani e colocou-a entre as coxas.

─ Sou tua e serei sempre, prometo-te. ─ disse.

Dani tomou-a nos braços e fizeram amor desenfreadamente até de madrugada. Parecia que o mundo ia acabar. Dani adormeceu nos braços do seu Amor, mas teve um sono agitado. Sofia não dormiu, estava preocupada. Precisava agir.

Uma mudança vinha a caminho…

Continua…

Cris Henriques

Nota: Para quem começou agora a ler o conto e deseja ler as primeiras partes da história, clique nos links abaixo:


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Por Amor – 2ª Parte

Imagem aqui.

─ Dani, eu entendo o teu lado e melhor do que ninguém sei o que tens passado. Sei os pesadelos que tens tido, mas Amor é uma criança, é um bebezinho... Teu. Eu amo-te e quero muito criar esta criança, criá-la como nossa e torná-la nossa filha. ─ Argumentou Sofia acariciando o ventre de Dani com amor.

─ Tu sabes o que estás a pedir-me?! ─ Nunca se tinha imaginado grávida e daquela maneira, muito menos ainda...

─ Sei... ─ disse pegando-lhe na mão. ─ Amo-te, Dani.

─ Sofia, isto é de loucos! Eu não posso ter este bebé, percebes? Não posso… Perdoa-me, mas não consigo ─ e dizendo isto saiu apressadamente lá para fora, fechando a porta atrás de si. Sofia ainda a chamou, mas Dani já não a ouviu.

Sofia, sentou-se no sofá a chorar, pois sabia que o que estava a pedir a Dani não era justo. Estaria a ser caprichosa, egoísta?

Enquanto isso, Dani foi caminhar à beira-mar. Sempre que discutia com Sofia, ia para a praia para pôr as ideias em ordem e procurar uma resposta, ou simplesmente para chorar.

Sentou-se numa rocha, contemplando o mar de óculos de sol e chorou sozinha. Não gostava que a vissem chorar, nem mesmo Sofia. Nesse ponto eram iguais. Não queriam que pensassem que elas, afinal não eram tão fortes quanto pareciam ser.

Porque tudo estava a ser tão difícil depois de ter casado com a mulher da sua vida? Que provas teria ainda que ultrapassar para poder ser feliz? Questionava-se. Não compreendia...

Porém, algo estranho aconteceu naquele momento. No céu viu uma nuvem transformar-se num sorriso enorme e apareceu em seguida a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Tirou os óculos para ver melhor, mas quando voltou a olhar já não estava nada ali. Foi então que ela entendeu. Tinha recebido uma mensagem. Deveria ter o bebé, era isso e estranhamente sentiu-se mais calma, mais em Paz e mais aliviada também. Colocou a mão no ventre e sorriu, aceitou aquele filho. Ao chegar a casa, Sofia abraçou-a.

─ Perdoa-me. Vamos fazer o que for melhor para ti, para nós. Amo-te.

Dani abraçou Sofia e beijou-a ternamente, mas aquele beijo tornou-se mais ardente e segundos depois, as roupas acabaram caídas no chão e fizeram amor com muita doçura. Desde a violação que nunca mais tinham feito amor, Dani ficara perturbada e sem vontade. Após algumas horas, adormeceram nos braços uma da outra, saciadas.

Sofia acordou primeiro e foi comprar cereais para o pequeno-almoço. Antes de sair, escreveu um bilhetinho para Dani e deixou-o em cima da mesa-de-cabeceira, para que quando a sua amada acordasse o pudesse ler. Depois saiu.

Comprou cereais e o jornal para procurarem trabalho. Deu uma volta pela cidade, procurando nos cafés, pastelarias, lojas para ver se estavam a contratar pessoas. Embora, já estivessem inscritas no Centro de Emprego as moças não eram pessoas de ficarem de braços cruzados. Quer Dani como Sofia, eram mulheres dinâmicas, activas e nem eram de ficar a lamentar-se. A ficar a pensar no passado. Elas eram fortes, determinadas e lutadoras.

Entretanto, Dani acorda. Espreguiçando-se com os olhos fechados, chama por Sofia:

─ Amooooor? ─ E esperou que Sofia respondesse.

Como não obteve resposta abriu os olhos e viu o bilhete. Pegou nele e leu:


Bilhetinho Sofia

Ela sorriu e beijou o bilhetinho do seu Amor. Ficou a pensar na noite anterior… Abraçou a almofada e sorriu novamente ao lembrar-se. Viu as horas e ficou surpreendida, pois não só passava das 10 da manhã, como se lembrou que dormira a noite toda num sono só. Aos meses que isso não acontecia!

Levantou-se e observou a casa que ela tinha arrendado com Sofia. A casa era pequenita: tinha uma sala, um quarto, uma cozinha e uma casa de banho minúscula, mas era confortável e tinha vista para o rio. Nada mal, pensou.

─ Bom diaaaaaa, meu Amor! ─ Disse Sofia entrando em casa com as compras.

─ Olá, Fofinha! ─ E dirigiu-se a ela, ajudando-a com as compras.

Sofia, puxou-a para si e beijou-a apaixonada.

─ Saudades tuas… ─ murmurou e o desejo entre as duas acendeu-se novamente, levando-as fazer amor ali na mesa da cozinha.

Horas depois, enquanto almoçavam Dani começa uma conversa com Sofia e conta-lhe o que acontecera na praia. Sofia ouviu-a atentamente, sem se surpreender com o que Dani vira no céu. Sofia sabia que Dani tinha este Dom e nunca comentava, mas aceitava-a tal como ela era por amor. Então, Dani diz-lhe que vai ficar com o bebé e Sofia abraça-a, feliz.

Dois meses depois do nascimento da pequena Lena, novamente, Sofia e Dani passam por uma nova crise. O problema de continuarem sem trabalho, persistia e o dinheiro era nulo…

Continua…

Cris Henriques

Nota: Se quiserem ler a 1ª Parte do conto «Por Amor», cliquem neste Link.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Por Amor – 1ª Parte

Imagem aqui.

Dani montou-se na bicicleta e foi em busca de comida, dirigindo-se até à quinta mais próxima do seu lar que hoje era uma barraca num bairro da lata no Porto.

Ao que a sua vida tinha chegado só por ter se ter casado com a mulher da sua vida…

Estava-se no ano de 2010 e o casamento entre pessoas do mesmo sexo tinha sido aprovado em Portugal. Em 14 de Fevereiro de 2011, Dani e Sofia celebraram o seu amor na praia e casam-se apenas com o conhecimento, de alguns amigos íntimos e de alguns familiares mais próximos que sempre as apoiaram. Casaram-se numa praia ao pôr-do-sol. A cerimónia foi discreta e muito romântica, Dani fez uma serenata a Sofia ao luar, ela própria escreveu a música e a compôs, após uma noite de amor enquanto Sofia dormia. Os expressivos e lindos olhos castanhos de Sofia, emocionaram-se com imenso amor por Dani chorando de alegria. A noite sim, estava fria, mas com tanto amor e paixão existente nos seus corações, o frio quase que não se sentia.

No entanto, as coisas no emprego mudam para Dani nos 15 dias que se seguiram após a Lua-de-Mel. Ao fim dessa tarde quando já quase todos os colegas foram para seus lares, Dani atrasa-se e decide ficar mais uma hora para acabar uma apresentação. Assim, poderia namorar a sua linda esposa sem levar trabalho para casa. Porém, se ela soubesse o que lhe ia acontecer, não teria permanecido ali nem mais um minuto... Mais-valia ter levado o trabalho para fazer em casa, perto da sua amada. Isto evitaria que fosse brutalmente violada pelo chefe, que grosseiramente lhe disse que, ela só era fufa porque nunca tinha conhecido um homem de verdade!

Apesar de lutar e de gritar por ajuda, ninguém ouviu Dani. Ninguém veio socorrê-la.

No fim, ele deixou-a caída no chão e ameaçou-a que se fizer queixa dele, vai atrás da mulher dela e mata-a à facada depois de violá-la também.

Ao chegar a casa, Dani não tem como esconder o que aconteceu e conta tudo à esposa amada. Sofia chora, abraça-a e ajuda-a a escrever um e-mail de demissão, que envia logo depois de escrito, mas ela não consegue convencê-la a denunciar o horrendo crime às autoridades.

No dia seguinte, Sofia é também despedida pela sua assumida orientação sexual e então, como as duas raparigas ficam sem emprego, não leva muito tempo para perderem a casa também algumas semanas depois, porque o senhorio não quer duas fufas a morarem no seu prédio, ainda mais desempregadas e sem dinheiro para pagar a renda.

As duas ficam em casa de um amigo durante um tempo, mas João recebe ameaças de morte, por dar guarida a um casal homoafectivo. Para não arranjarem mais problemas para o amigo, as raparigas decidem sair de Lisboa e dirigem-se para o Porto. O ideal seria o Algarve, as pessoas naquela região do país pareciam ser menos preconceituosas devido ao facto de ser um local que recebia muitos turistas, principalmente turistas estrangeiros. Uns diziam que a homossexualidade era moda, por vir do estrangeiro. Outros não diziam nada, aceitavam com naturalidade. Porém, por ser um local turístico, o tipo de vida era também mais caro. Assim, optaram pela zona norte do país e estabeleceram-se no grande Porto. Imediatamente, arranjaram uma casinha pequenina, mas confortável e com vista para o rio.

Entretanto, Dani descobre que está grávida. É então que surge a primeira crise no casamento. Dani quer abortar, porque aquele ser não foi concebido com amor. Porque aquele ser não foi planeado e porque receia que se tiver a criança, sempre que olhar para ela irá lembrar-se do momento mais horrível da sua vida. Sofia entende Dani, mas é contra o aborto. Afinal, está a cometer-se um assassínio e além disso, ela sempre desejou ser Mãe um dia.


Continua…

Cris Henriques

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