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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Por Amor – 6ª Parte

Imagem aqui.

Alberto, assim se chamava o comerciante, compreendeu a situação e o porquê do roubo. A seguir, ofereceu trabalho a Dani e ela aceitou. Começaria no dia seguinte às 14h e sairia às 20h da noite. Disse-lhe:

─ É errado roubar, mas quando há crianças com fome é compreensível. Vai para casa e não te esqueças de estar aqui amanhã às 14h00, ouviste?

─ Ouvi sim, Sr. Alberto. Muito obrigada, serei pontual!

Dani saiu do supermercado sorridente e dirigiu-se à praia, que estava deserta àquela hora. Era noite e o céu estava iluminado de estrelas, no entanto não havia Lua, ou melhor, era Lua Nova. Não gostava dessa fase da Lua, porque nesta fase costumava ocorrer problemas… Intrigas, mistérios… Porém, ela hoje estava feliz e sentia-se abençoada. Entrou no mar, vestida e mergulhou, para se molhar por inteiro. A água estava gelada, mas Dani sabia que deveria agradecer a graça recebida e assim o fez, ao sair do mar ajoelhou-se à beira-mar, benzeu-se e seguidamente rezou olhando para a primeira estrela que avistou no céu, mas uma nuvem cobriu essa estrela… Isto não era um bom presságio, Dani, sabia-o, mas agradeceu mesmo assim.

Meia hora depois foi para casa e ao chegar, abraçou a mulher e beijou a filha que dormia. Contou a Sofia tudo o que tinha acontecido, ela abraçou-a e disse:

─ Amo-te, Daniela Lopes. Orgulho-me de ti, Amor.

─ Agora vai correr tudo bem, Amor.

─ Vai sim.

E beijaram-se ternamente. Abraçaram-se e desse abraço, desse longo beijo, o desejo renasceu. Sofia tirou as roupas molhadas da esposa, começando por lhe desabotoar os botões da camisa e a cada botão que abria, beijava-lhe o peito nu. Dani gemia baixinho, pois o prazer que sentia quando Sofia tomava a iniciativa de a possuir, era imensa. Sofia atirou a mulher para cima da cama e tirou-lhe as calças, beijando-lhe o ventre e todo o resto do corpo, até que Dani teve um orgasmo múltiplo intensíssimo…

Fizeram amor praticamente toda noite e adormeceram enroscadas uma na outra, às 3h45 o telemóvel de Sofia toca para ela ir trabalhar. Estava na hora e apesar de estar a dormir à 1h00 levantou-se, vestiu-se e lá foi. Escreveu no ecrã do telemóvel da sua amada a seguinte mensagem:

“Bom dia, meu Amor!

Fui trabalhar. Volto à hora de almoço.

Tu és fantástica! Estou de rastos, precisava dormir mais umas horas. Sorriso

Amo-te.

Beijos da tua esposa,

Sofia.

P. S. – Saudades tuas! Sorriso

O dia amanheceu soalheiro e ao acordar, Dani, pegou no telemóvel para lhe pôr som, pois podiam ligar-lhe e se estivesse sem som, não o ouviria tocar. Mal lhe pegou, viu a mensagem que o seu Amor lhe tinha deixado escrita. Ao lê-la, sorriu com uma expressão matreira.

Tratou de Leninha e despachou-se para ir trabalhar. Estava animada e optimista, acreditando que a sua sorte estava a mudar e que dali em diante, a vida lhe sorriria. Limpou a casa, para Sofia poder descansar e dormir um pouco também, afinal, a noite passada tinha sido de arromba!

Entretanto, na lota as coisas corriam bem. O peixe estava a vender-se e Sofia não tinha realmente mãos a medir. Às 13h30 regressou a casa com um passo apressado, porque estava na hora de Dani ir trabalhar e Leninha não podia ficar sozinha. Ao chegar, Dani abraçou-a, beijou-a e despediu-se até à noite.

Nesse dia, Sofia aproveitou para descansar e para cuidar da menina. À noite, preparou um jantar romântico para a sua amada. As noites eram para namorar e para desfrutarem da companhia uma da outra.

Estava tudo em harmonia e do Rui Melo, nem sinal. Não havia discussões, não havia desconfianças, nem ciúmes. Estava tudo tranquilo, até mesmo com relação ao dinheiro. Sofia recebia ao dia e isto, dava para pôr comida na mesa, além do mais a D. Rosalinda dava-lhe sempre peixe que sobrava da venda.

Quanto a Dani, recebia à semana e aos fins-de-semana, o Sr. Alberto pagava-lhe o dobro. Tinha sido isto que ficara acordado entre ambos e quando a validade dos produtos estava a terminar, Alberto Lobo dava esses mesmos produtos a Dani. Ele era uma boa pessoa e gostava de ajudar os mais necessitados. Tinha o hábito de dizer que fazer caridade, não era “fornecer” as ditas instituições que diziam ajudar pessoas carenciadas. Para se ajudar pessoas carenciadas bastava olhar a quem estava ao seu redor, dando trabalho para essas pessoas subsistirem, ou dando alguns alimentos. Para ajudar, bastava querer.

Alberto, não era um empresário e não tinha dinheiro por aí além. Mas tinha um bom coração e uma grande riqueza interior. Aos 72 anos vivia sozinho, nunca tinha casado e também não tinha filhos. Porém, nunca se esquecera do seu amor quando tinha 20 anos, mas esse era um assunto que ele se recusava a falar. O povo contava duas versões diferentes da história. Numa delas, a mulher pela qual Alberto se enamora era casada e ele era seu amante e, num dia o marido tinha chegado mais cedo a casa e os surpreendera juntos na cama. E que a partir desse dia, ele nunca mais tinha querido ter outra mulher.

Noutra versão, Alberto apaixonara-se por uma mulher que o havia deixado e tinha-o trocado por outro homem com mais dinheiro que ele. A verdade é que ninguém sabia dizer ao certo o que tinha acontecido e também talvez nunca se viesse a saber, pois ele não falava no passado.

Alguns dias mais tarde, Rui apareceu na lota. Ao vê-lo, Sofia sentiu-se nervosa e ficou mais nervosa ainda, quando o viu tratar a D. Rosalinda por “Mãe”. Então, ela era mãe dele… Estava explicado porque ele ia muito à lota, a mãe trabalhava lá. Rui viu-a imediatamente e sorriu-lhe, ela fingiu que não o tinha visto e continuou a arranjar os carapaus para uma freguesa. Ele percebeu que ela o estava a ignorar e depois de a mãe lhe dar o dinheiro que ele pedira, Rosalinda foi com ele até à banca onde estava Sofia.

─ Sofia, quero apresentar-lhe uma pessoa. Este é o Rui, o meu filho.

─ Nós já nos conhecemos, o seu filho é o senhorio da casa onde estou. Bom dia, Sr. Melo. ─ Disse enfrentando-o.

─ Verdade? Que interessante, não sabia!

─ Pois é, é verdade, Mãe. Olá, Sofia! Esquece isso do Sr. Melo, trata-me por Rui como toda a gente. Estás cada dia mais bonita… ─ disse olhando-a de alto abaixo.

─ O meu filho, é um verdadeiro cavalheiro, muito galanteador e educado com as moças. Especialmente, quando está interessado em alguma moça. ─ Disse Rosalinda com orgulho.

─ Pois é, mas sou uma mulher casada e… Ups, já são horas de ir para casa… ─ disse Sofia olhando para o relógio, ─ …Já estou é quase atrasada e a minha mulher está à minha espera para ir trabalhar. Portanto, D. Rosalinda, vemo-nos amanhã.

─ Ai, filha desculpa. Vou arranjar as tuas coisas e o Rui leva-te a casa no carro. Espera um bocadinho, é só mais uns minutos. Ainda são 13h22.

─ Não é preciso, D. Rosalinda. Eu vou a pé. Obrigada, na mesma.

─ Disparate, filha. Vá, toma lá o saco e até amanhã. Rui, leva a Sofia a casa.

─ Está bem, vamos Sofia, eu levo-te. Até logo, Mãe.

─ Adeus, meninos.

E lá o Rui levou Sofia até a casa. Ela não tinha tido alternativa, bem que resistira mas não teve qualquer hipótese.

─ Que bom que estás na lota, assim vamos ver-nos mais vezes e conhecer-nos melhor!

Sofia manteve-se em silêncio. Não queria conversar com ele, estava preocupada com Dani e com Leninha, mas também com a reacção dela ao vê-la chegar com Rui, de carro. “Vai ser, lindo…”, pensou.

─ Então? Não dizes nada, Amor? ─ Pergunta Rui para a provocar.

─ Não me chame de “Amor”. O meu Amor é a minha mulher, a Dani.

─ Que disparate, “minha mulher”! ─ Exclamou ele escarnecendo do que ela tinha dito, ─ Falta-te é conheceres um homem a sério… ─ e dizendo isto, passa a mão pela perna dela.

Sofia, empurra-lhe a mão com força e sai do carro em andamento, tropeçando mas correndo em direcção a casa. Nesse momento, Rui trava o carro e grita, pondo a cabeça de fora da janela:

─ ÉS LOUCA OU QUÊ?! ANDA CÁ!

As lágrimas caiam-lhe pelo rosto abaixo e ao virar a esquina, ainda o ouviu gritar: “─ EU SEI ONDE MORAS!!”. Entrou em casa e encontrou Dani, a deitar Leninha. Sofia limpa imediatamente a cara para a sua amada não perceber que algo tinha acontecido e para disfarçar o nervoso, começou a falar:

─ Olá, Amor! Vim a correr, hoje atrasei-me porque a D. Rosalinda teve que ir ao médico… ─ Mentiu. Mas não era totalmente mentira, realmente Rosalinda tinha tido uma consulta nessa mesma manhã, só que o atraso havia acontecido por causa de Rui ter aparecido.

─ Ok, tudo bem. Eu vou indo, estás bem, Amor? É que não pareces… ─ Disse Dani, notando que havia alguma coisa que não estava bem.

─ Estou, estou Amor. Só estou cansada por vir a correr. ─ Disse sorrindo.

─ Ok, então, até logo. Tenho de ir. ─ E dizendo estas palavras, despediu-se da mulher com um beijo e saiu.

Sofia, sentou-se na cadeira pensativa, pois sabia que as coisas iam piorar. Ele iria tentar novamente… Não sabia como fazer as coisas, se deveria contar à esposa o que acontecera, ou não. Contar-lhe, implicaria fazê-la voltar atrás no tempo e lembrá-la da violação… Para não lhe contar, também não estava correcto, porque eram um casal e partilhavam tudo. Não podia contar à D. Rosalinda, ela não iria acreditar em toda aquela história… Nesse caso, o que fazer então?

Precisava de pensar muito bem e decidir, mas não agora porque estava cansada e ao deitar-se no sofá, adormeceu. O cansaço fora mais forte.

Dormiu até a Leninha acordar perto das 18h00! Grande sesta que elas dormiram! Mas foi bom, porque permitiu que Sofia descansasse e ao acordar, via a questão com outros olhos. Por enquanto, ia deixar as coisas como estavam e se ele voltasse a tentar mais alguma, contaria à esposa e resolveriam as coisas juntas.

Então, não pensou mais nisso. Após tratar da menina, fez o jantar e tomou um banho relaxante. Quando Dani chegou do trabalho, encontrou-a no duche. Despiu-se e ao chegar perto dela, perguntou:

─ Há lugar para mais uma?

Sofia, abraçou-a e as duas raparigas beijaram-se apaixonadamente. Os seus corpos iniciaram uma dança sensual, quente, que as transportou para um orgasmo intenso e em simultâneo.

Na manhã seguinte, aconteceu algo que Sofia não esperava. Ao caminhar pelas ruas até à lota, um carro começou a andar ao seu lado devagar e a janela abriu-se automaticamente. Sofia não conhecia aquele carro.

─ Olá, bom dia ou será boa noite?

Era o Rui. Sofia não lhe respondeu e continuou a andar em silêncio, olhando em frente.

─ Ainda estás chateada?

Novo silêncio, a caminhada e o olhar fixo em frente manteve-se. Sofia, começava a ficar nervosa. Não valia a pena correr, ele estava conduzir o carro e apanhá-la-ia num ápice.

─ Vá, não sejas casmurra. Entra, eu dou-te boleia até à lota. Prometo comportar-me…

Sofia, manteve a sua caminhada e continuou a ignorá-lo. Rui continuou a insistir, mas ela mantinha-se impávida e serena. Até que chegaram a uma rua deserta sem iluminação, não havia casas nem nada ali. Aquele lugar era descampado e o nervoso de Sofia aumentava, Rui começou a perder a paciência. Então, acelerou o carro e parou na frente dela. Ela gritou e tentou correr para fora do seu alcance. Porém, ele estava em boa forma e agarrou-a pelo cabelo longo.

─ Onde pensas que vais, hã?

Desorientada Sofia, gritou e voltou-se para ele para se soltar. Mas nesse momento ele agarrou-a, atirando-a ao chão, caindo sobre ela. Ele era pesado e musculado, o seu peso mobilizava-lhe as pernas e ela não conseguia mexer-se.

─ Desta vez não me escapas, vais ser minha!

Então, vendo-se encurralada, Sofia pensou rápido e agiu instintivamente. Beijou-o na boca e quando sentiu que podia mexer as penas novamente, deu-lhe uma joelhada com força nos testículos. Rui gemeu e largou-a imediatamente.

─ Ahhh, puta! Vais pagar caro por isto… Ahhh, ─ e ficou deitado no chão contorcendo-se com a dor.

Sofia correu até à lota o mais depressa que conseguiu e ao chegar lá, com as roupas amarrotadas, sujas de areia e com a maquilhagem por retocar, Rosalinda deitou as mãos à cabeça e exclamou:

─ Santo Deus! Que te aconteceu, filha?

─ Fui assaltada quando vinha no caminho para aqui… ─ Respondeu Sofia.
─ Isto cada vez está pior! É só ladroagem, ninguém está seguro aqui. Estás bem, filha?

─ Estou, D. Rosalinda. Consegui defender-me lutando e fugi.

─ Bem, antes assim. Vai-te lavar, filha e arranja as roupas.

─ Obrigada, D. Rosalinda. Já volto, então.

Sofia, foi à casa de banho e ao chegar lá, chorou. Chorou muito porque sabia que a harmonia que sentira há dias, terminara. O sossego definitivamente, acabara…

Continua…

Cris Henriques




7 comentários:

  1. Cris, que história interessante!
    Uma grande realidade da vida!

    Beijos, queirida

    ResponderEliminar
  2. Cris querida! Como está? Obrigada pelo carinho e pelos comentários sempre tão gentis!
    Desculpe pela demora em aparecer!....Por isto fica difícil de acompanhar a história e poder comentar... Vem comer bolo comigo.... Num dos tópicos do dia 05....
    Tem post novo!
    Um abençoado e feliz final de semana!
    Abraço carinhoso!
    Elaine Averbuch Neves
    http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com.br/

    ResponderEliminar
  3. Oi amiga querida, tudo bem com você e sua mãe? diz a ela que mandei um beijinho.
    Nossa estava bem feliz em ler o relato de que as meninas estavam bem e felizes, mas ao chegar até o final fiquei apavorada com a situação, perseguição de um ser imundo que seu instinto maldoso não pode ver duas criaturas felizes.Penso que ela deveria ser sincera com a Dani e lhe contar tudo, um peso como este deveria ser carregado a dois ficaria bem mais fácil. O problema do ciume também atrapalha muito um relação, onde a pessoa perdida já desesperada age desta forma para evitar mais sofrimento. Ainda sim minha opinião é viver uma relação as claras.
    Ainda na torcida para que a paz reine no lar desta familia.

    Amiga estou viciada nesta historia, no aguardo de mais um episodio.

    Um fim de semana perfeitinho. Beijinhos.

    ResponderEliminar
  4. Faltou dizer obrigada pela visita e palavras sempre tão carinhosas. Te gosto muito amiga.

    ResponderEliminar
  5. Brincadeira como esses homens são idiotas, usam a força para provar que são melhores..ai que raiva....mas teria denunciado na hora...vamos aguardar né...as próximas partes.

    ResponderEliminar
  6. Olá, Cris.
    Muito bem narrado o seu conto, parabéns.
    As coisa não estão nada fáceis para Sofia, que se vê obrigada a esconder a verdade de quem ama; realmente é bem triste isso.
    Abraço.

    ResponderEliminar
  7. Nossa! Fico ansiosa...
    Um amor cheio de obstáculos mas forte e lindo!...Veremos o final.
    Um beijo amigo
    Ivany

    ResponderEliminar

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