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domingo, 16 de março de 2014

No Nevoeiro das Docas de Alcântara

Contos, Amor, Cris Henriques, O Que O Meu Coração Diz, http://oqueomeucoracaodiz.blogspot.com, Docas Lisboa
Foto de: Cris Henriques, Docas de Alcântara - Lisboa, Portugal


Sinceramente, ela não entendia o significado daquele silêncio súbito. Por mais voltas que desse à cabeça, não conseguia compreender. Não depois da última noite, em que os seus corpos se uniram num misto de paixão, desejo e ardor.
No entanto, não era apenas sexo. Não, havia ali algo mais. Uma coisa mais profunda, era amor também e ela sabia-o. Sabia-o pelos beijos, pelo olhar quente que lhe era retribuído com a mesma intensidade. Mais do que isso, ela sentia-o.
Que noite louca, o inesperado acontecera. As saudades tinham derrubado barreiras, ultrapassado obstáculos e o amor vencera.
Bocas que se beijavam, corpos que se envolviam num tango apaixonado, ardente e intenso. Frêmito do seu corpo no dela, a urgência de consumir a paixão e assim uniram-se em apenas um ser, matando os Egos.
Num enlace de braços e pernas adormeceram, com um sorriso de alegria e felicidade. Sonho realizado.
Mas ao raiar da aurora, as sombras desvanecem-se e a noite dá lugar ao dia. Acorda com o brilho do sol nos seus olhos e a brisa fresca da manhã, provocando um arrepio no seu corpo. Abre os olhos meio incomodada, encontrando-se sozinha. Outra vez...
Uma sms chega ao seu telemóvel dizendo: "Nas Docas de Alcântara, às 18h53. Amo-te. Para sempre." Ela sorri, feliz.
Nas Docas de Alcântara, ela chega à hora marcada. Como aquelas 8h custaram a passar! A ansiedade não a deixara sossegada nem por um minuto, o dia no trabalho não lhe tinha rendido nada. Estava eufórica, dispersa e com um brilho diferente no olhar. Assim, notaram Artur e Gabriela.
- Estás diferente! - Disse Artur, surpreso.
- É verdade, mais bem-humorada! - Notou Gabriela.
- Humm, há mouro na costa! - Tentou adivinhar Artur, mas ela apenas limitou-se a sorrir e não satisfez a curiosidade dos colegas.
Nas docas passeava, observando a paisagem. O Cristo Rei, ao fundo na outra margem como que abençoando o seu amor. Estava frio, o sol de inverno desaparecera no horizonte. Entrou no restaurante e procurou a mesa onde jantavam, sempre que se encontravam. Este lugar era especial.
Pediu um chá quentinho e esperou, atenta ao telemóvel que depositou sobre a mesa, não fosse este tocar e ela não ouvir. Bebericou o chá devagar, toda esperançada. Olhou as horas e passavam 30 minutos, após a hora marcada. "Atrasou-se no trânsito.", pensou já menos animada e meio amedrontada com a possibilidade de ter levado uma tampa. Para afastar os maus pensamentos, ligou o Facebook no smartphone para se inteirar das publicações dos amigos e divertir-se. Ao menos, estaria distraída e não daria lugar ao pessimismo. Porém, nas publicações recentes havia uma foto que lhe chamou a atenção imediatamente. Um anel de noivado com alguns comentários de felicitações de amigos e o "SIM", escrito em letras maiúsculas, da pessoa amada, por quem ela esperava havia agora uma hora.

Uma lágrima caiu, rolando pelo seu rosto abaixo. Eis o motivo do atraso e o porquê do silêncio. Limpou as lágrimas do rosto, ligou para a pessoa amada e a chamada foi directamente para a caixa postal. Telefone desligado. Desligou. Estavam juntos. Pagou a conta e desiludida, de coração dilacerado saiu pela imensidão da noite em direcção ao Tejo desaparecendo no nevoeiro.

FIM

Cris Henriques

14 comentários:

  1. Oi, Cris, como vai? Ai, achei o final muito triste... já sofri desilusão e é uma dor muito incômoda, que nada preenche. Muito bem escrito, mas sou daqueles que prefere sempre o final feliz. ;) Um abraço!

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    Respostas
    1. Olá, Bia!

      Muito obrigada pela tua visita e carinho.
      Fico feliz por teres gostado da história, com excepção do final. A maioria das pessoas, já teve em suas vidas uma desilusão amorosa e quem amou, sabe como foi difícil ultrapassar e esquecer esse momento doloroso.
      Nem sempre existem finais felizes na vida real.

      Beijinhos

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  2. Que triste,Cris! O cenário do nevoeiro é bem apropriado para o desfecho!
    Abraço!
    Sonia

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    Respostas
    1. Olá, Sónia!

      Obrigada pela tua companhia no blogue e, no nevoeiro. ;)

      Beijos

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  3. Cris,
    Há amores que são sentidos, apesar da traição, apesar da distância...
    A tristeza é a marca de que o sentimento é real...
    Gostei muito do teu conto!
    Beijinhos!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, Dulce.

      Minha amiga, infelizmente a vida está cheia de histórias como esta...
      Obrigada por estares aqui.

      Beijinhos

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  4. Lindo conto, com a intensidade das névoas...beijos,chica

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    Respostas
    1. Olá, amiga Chica.

      Muito obrigada sempre pelo carinho e gentileza.

      Beijos

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  5. Belíssimo conto, Cris! Cheguei a sentir o assoprar fresquinho da brisa em meu ombro... a realidade crua faz da mocinha um ser arredio, desconfiado? Talvez supere e encontra alguém a sério.

    Um abraço brasileiro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Cristina.

      Muito obrigada.
      A mocinha, era inocente, apaixonada e por tanto amar entregou-se de corpo e alma...
      Não é assim, quando amamos perdidamente?

      Beijos ;)

      Eliminar
  6. Ah, esse texto é seu! Li em outro blog, não lembro o nome agora, e fiquei maravilhado muito bem escrito. Comovente historia de amor. Fala de encontros e desencontros, lindamente escrita, inspiradíssima! É como diz o poeta brasileiro Vinicius de Moraes: "A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros na vida". Gostei, Cris!

    http://apoesiaestamorrendo.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Olá Fábio!

      Sê bem-vindo ao meu humilde refúgio, onde reina o Amor.
      Obrigada pelo carinho.
      Também gostei muito da tua escrita. Tentarei visitar-te brevemente.

      Beijos

      Eliminar
  7. Depois das lágrimas da chuva o sol rasgará o chumbo das núvens e voltará a brilhar. O desespero e a tristeza são dores do crescimento, e nós nunca paramos de crescer.
    Beijos Chris

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá M. D.

      Ter paixões, depois desilusões faz parte da experiência que é viver. É isto que nos faz amadurecer e ser pessoas melhores.

      Obrigada pela visita e carinho.

      Beijos

      Eliminar

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(Autora do livro «O Que O Meu Coração Diz», criadora e administradora do blogue.

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