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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mini Manual do Amor

Imagem aqui.


Desde o berço tenho aprendido muita coisa, das mais simples às mais difíceis e confusas. São estas coisas chamam-se também lições para a vida, ou lições de vida. As lições de vida são-nos facultadas através do nosso ambiente familiar, mais concretamente, através dos nossos progenitores segundo os seus conhecimentos e experiências de vida.

Há medida que crescemos, vamos fazendo escolhas, vivendo as nossas próprias experiências. São as nossas próprias experiências que nos motivam às nossas escolhas e nos ajudam a optar entre o Bem e o Mal, a distinguir o Certo do Errado. É assim que construímos o nosso carácter, que definimos a nossa personalidade.

Outras coisas, aprendi com professores e através de livros ou dos manuais, mas muitas coisas também aprendi sozinha descobrindo, intuindo. Durante todo esse tempo reflecti acerca de tudo o que li, assimilando, experienciando, em suma vivendo.

Tudo se aprende, dizem que existem livros, manuais que ensinam todo o tipo de matéria. Só precisamos estar conscientes do que queremos aprender e estarmos abertos a essa realidade. No entanto, eu não concordo. Existe um manual do qual já notei a falta e que é inexistente na biblioteca da nossa sociedade é: O Manual de Instruções para o Amor. É verdade, não há ainda nenhum livro que ensine a amar. Sim, existem livros e filmes que falam de amor, mas esses materiais não são propriamente manuais. O seu conteúdo normalmente é biográfico, porque para falar de sentimentos tão fortes deve-se ter vivido pelo menos uma vez na vida. Eu acredito que assim seja. Não importa se o amor foi correspondido, ou não. O importante é que foi sentido, mesmo que tenha sido sentido só por uma dessas pessoas.

Realmente não existe um manual para o amor, um manual que nos ensine a amar. Para amar precisamos querer sentir, mas até para sentir precisamos aprender e para fazer isso é necessário dar o devido uso ao coração. O coração, para alguns, é apenas um músculo que bombeia o sangue levando-o a todos os lugares do nosso corpo. É ele que nos mantém vivos, mantém-nos conectados com a matéria. Já para os seres mais sensíveis, o coração tem a ver com as emoções. Essas emoções tanto podem conter sentimentos positivos, quanto negativos. São emoções que nos ligam à vida, mas também à morte, ao desencarne.

Quando estamos enamorados, o coração bate num grande turbilhão de sentimentos. Quando avistamos a nossa cara-metade, quando ela nos acena ao longe, quando nos abraça, quando sorri, etc., o nosso coração bate com tanta força que quase nos salta do peito repleto de euforia. Estes são os pensamentos positivos que nos exultam de felicidade. Aí, o nosso coração bombeia o nosso sangue em louvor da vida.

Porém, quando estamos emanando pensamentos negativos, corremos o risco de ficarmos tristes e se essa tristeza perdurar ficamos doentes, podemos acabar por morrer de desgosto, morrer de amor. Mas não é de problemas que quero falar, já falei desses problemas noutro artigo: “Elas Não Matam Mas Moem”. O que quero é falar hoje é de amor e da capacidade de amar.

Todos nós nascemos com capacidades inatas, mas também nascemos para adquirirmos novas capacidades que após serem aprendidas, precisam ser colocadas em prática para que as possamos desenvolver. Neste caso, inclui-se também o amor. No entanto, muitos indivíduos não têm capacidade de amar. Passam pela vida seduzindo e brincando com os sentimentos dos outros, é como se para eles o amor fosse um brinquedo, ou um desporto!

Apesar de não haver o tal “Manual do Amor”, aprendi que amar não é difícil. Os seres humanos é que são complicados e confusos, porque de entre todos os caminhos que os encaminham para conhecer o amor, muitos de nós escolhe o mais difícil. Para amar, basta que tratemos a outra pessoa como se ela fosse nós próprios.

Então, hoje vou escrever um mini manual do amor, de acordo com aquilo que já aprendi.

Mini-Manual do Amor

1. Não devemos cobrar, o Amor não é moeda de troca;

2. Não devemos pressionar, porque ao pressionarmos a pessoa desaparecerá da nossa vida;

3. Não devemos implorar por Amor, isso é humilhante e revela falta de amor-próprio;

4. Não devemos possuir nem sentir ciúmes, a pessoa não é um objecto que nos pertence. Os ciúmes são os primeiros sintomas de desequilíbrio mental, revela insegurança, inveja e falta de confiança em quem amamos. Os ciúmes matam o Amor. Amar é confiar;

5. Não devemos manipular, tentar mudar a pessoa amada. Lembre-se que quando a conheceu, ela já era como é. Foi por isso, que se enamorou por ela;

6. Não devemos mimar excessivamente, dizer “Amo-te” a cada 10 minutos é sufocante e cansativo;

7. Devemos respeitar o seu silêncio, nesses momentos o melhor é pegar na mão, ou abraçá-la;

8. Devemos ouvir o que ela tem para dizer, ao ouvirmos aprendemos a conhecer a sua alma;

9. Devemos aceitar os seus momentos de reflexão, dar-lhe espaço. Quando ela se sentir melhor e tiver tudo resolvido na sua mente, ela voltará mais apaixonada do que antes e mais atenciosa também;

10. Devemos ser pacientes, ter compreensão. Ninguém é perfeito e todos temos dias complicados.

Mas difícil, difícil mesmo é exprimir o amor que sentimos por alguém, é dizer: “Amo-te muito, fica comigo.”

Isto sucede devido à timidez, mas também deriva do medo da rejeição. Porém, se não conseguir dizer verbalmente, escreva-lhe. Se não disser à pessoa o que sente, ela nunca saberá.

Vá lá, coragem!

Corra esse risco, porque vale a pena! Quando se ama verdadeiramente, tudo muda positivamente.

Lembre-se que o Amor não se pede, dá-se e sempre que o damos, alguma coisa boa acontece.

O importante mesmo na vida é amar!

Cris Henriques



sábado, 28 de janeiro de 2012

Elas Não Matam Mas Moem

Imagem no FreeFoto.

Sou uma pessoa muito meditativa, contemplativa, observadora e, sobretudo analítica. Passo a maior parte do tempo a pensar e a analisar as situações que surgem pelo meu caminho.
Quando os desgostos de amor são tema de conversa, há sempre alguém que diz que o amor não mata, ou que essa história de que morrer por amor, não existe. São apenas histórias e contos de livros românticos que alguém muito “lamechas” escreveu num dia em que estava com “dor de corno”, como diz o povo em Portugal.

Pois bem, eu discordo plenamente e tenho experiências que provam o contrário. Senão, vejamos...

Em relação aos desgostos de amor, por exemplo, quem nunca os teve?

Quem nunca passou por isto?

Quem nunca teve um amor não correspondido?

Quem nunca teve um amor platónico?

Quem nunca teve um amor proibido?

A maioria das pessoas já passou por estas situações e sofreram com elas. Creio que nós lésbicas, temos mais predisposição para estas situações que as outras pessoas em geral. Eu por exemplo, já passei por todas estas situações. No entanto, sinto-me uma pessoa com muita sorte por ter tido o privilégio de ter passado por estes momentos menos bons.

Já notaram que quando passamos por situações conturbadas é que nós conseguimos aprender alguma coisa na vida?

Já pensaram que só assim questionamos a vida e entramos na "onda" dos porquês?

Porém, há quem tenha uma atitude muito diferente, fazem-se de vítimas e vestem a capa da autopiedade. Passam a maior parte do tempo a reclamar com as pessoas que as rodeiam, a queixarem-se de tudo e a culparem os outros. Não vêem que na vida tudo é passageiro. Não entendem que todas as situações, por mais penosas que sejam e cujas quais passámos, foram escolhas nossas que foram feitas para que evoluíssemos espiritualmente.

Quando foi que escolhemos?

Momentos antes de reencarnarmos. Nós escolhemos tudo, tudo. Desde o sexo, ao corpo, mas também o local de nascimento, os pais, a família e claro, o karma que devemos resgatar. Deus Todo Poderoso, Criador do Céu, da Terra, do Universo e de todos os Seres, na sua infinita sabedoria ofereceu-nos o Livre Arbítrio. É assim que aprendemos, errando, acertando e depois ensinando.

Assim, todos os relacionamentos são karmicos e todos eles nos ensinam algo. Porém, na verdade, existem pessoas com as quais o karma é menos problemático e então temos mais facilidade para nos relacionarmos com elas. Ainda bem, não é? É que senão, o processo de aprendizagem da reencarnação seria bem mais penoso.

Sem obstáculos não reflectimos, não criamos objectivos e nem questionamos a vida. Os desafios foram criados para serem contornados e vencidos, porque sem eles não chegamos a sentir o verdadeiro amor. Não o reconhecemos. Não o valorizamos e nem valorizamos quem está ao nosso lado.

Então, vamos agradecer em vez de nos queixarmos tanto. Afinal, tudo faz parte da nossa aprendizagem espiritual.

O problema é quando esses problemas não chegam a passar, quando esses momentos de crise se transformam em problemas de saúde. Por exemplo, os desgostos de amor transformam-se em problemas cardíacos. Fiquei consciente disto quando pus fim a um relacionamento, não tive qualquer outra opção. Os momentos com aquela mulher por quem nutria tanto amor, estavam a acabar com a minha alegria. Estavam a acabar comigo, com o meu bem-estar e com a minha serenidade. Assim, o fim do relacionamento foi a solução mais sensata. Sofri durante meses, mas hoje tenho o discernimento para compreender que foi o melhor que fiz. No fim da relação o sentimento de ciúme, posse, mágoa, ansiedade e desilusão eram predominantes o que fizeram com que eu desenvolvesse uma arritmia cardíaca e outros problemas, tal como retenção de líquidos.

Os meus estudos iniciais acerca de PNL - Programação Neuro Linguística, conduziram-me a esta interessante conclusão. Os livros de Auto-Ajuda são ferramentas valiosas para nos auxiliarem e abrirem a nossa mente para a espiritualidade. Portanto, concluo que as mazelas de amores conturbados não nos matam, mas moem. Os desgostos de amor não matam repentinamente, mas sim lentamente.

É uma morte lenta!



Cris Henriques

Barreiro, 15 de Agosto de 2011



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